terça-feira, 21 de agosto de 2007
Cair na real Gosto de ouvir as sumidades do nosso país a dar opiniões. Saber o que pensam as elites intelectuais, políticas, enfim aqueles bem distantes do resto das pessoas, os habitantes do Olimpo. Ver e ouvir, por exemplo, a Quadratura do Círculo. Pacheco Pereira, com o seu ar de professor enfadado, já explicou tantas vezes e parece que ninguém aprende. Pois que não está ali a levantar questões ou dar a sua opinião. Está a dizer o que é e esta gente burra nunca mais aprende. Jorge Coelho está deprimido. Cansado de se repetir, triste e sem entusiasmo, já não é o campeão de outrora, mas alguém a cumprir um frete. O outro senhor, de que sempre me esqueço o nome, acto falho de certeza, empresário de sucesso, todo ele é sucesso. Sorriso, está bem de vida, dá opiniões reservadas, convicto da sua defesa da classe que representa. Senhores, doutores, os iluminados. Falam então de pensões de reforma, ordenados, descontos, pedir sacrifícios à população. Mais uns. Aquela população que é suposta ter computadores em casa, se tiver casa. Eu gostava de ouvir estes senhores, sim, depois de uma experiência como aquelas que nos aparecem nos filmes. Gostava de ver o sr. Pacheco Pereira a viver durante seis meses com o ordenado mínimo, talvez num bairro social. Pode ser que conseguisse comprar um jornal de vez em quando, com um pouco de ginástica financeira. A ir para a bicha do Centro de Saúde para pedir um atestado médico quando estivesse com as suas alergias. De preferência com febre. Queria ver o senhor empresário a viver num velho bairro de Lisboa, com a casa a cair de podre, vivendo uma vida de mulher reformada. Pensão de cerca de 280 Euros, praticamente metade da dos homens. Proibido de levar a sua chiquíssima roupa. Viver com o que tem e recorrer ao serviço nacional de saúde. Ao Senhor Jorge Coelho, já tão neura, dava-lhe uma pensão média de funcionário público, já com os devidos descontos, casa, roupa, livros a condizer. A viver, talvez, na Amadora, e a recorrer ao “privilégio” da ADSE. Com os médicos que sobraram das seguradoras de saúde. Ao fim de seis meses convidava-os para um debate. A sério. Queria ver como falavam dos grandes problemas da actualidade, segurança social, saúde, demografia, emprego. Como apreciavam o “downsizing” como política universal para a poupança. Como aconselhavam os casais a ter mais filhos e o sentiam do patriotismo. É fácil falar de números, é difícil falar das pessoas reais. Seria uma experiência inovadora. Seriam casas sem biblioteca, sem PC, talvez até sem casa de banho. E seguimos para outros debates. O Eixo do Mal. Encantadora a forama como se falou de mulheres prostitutas fornecidas, como mercadoria, aos árbitros como forma de aliciamento. Então, conforme fossem da 1ª, 2ª ou 3ª liga, essas mulheres seriam produtos de mais ou menos qualidade – idade, cultura, aparência física. Todas imigrantes, claro, há que não ofender as portuguesas. O inacreditável é que nem a Clara Ferreira Alves falou contra este costume de vender pessoas. À hora.
Publicada por Sibila em 11:29 0 comentários
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